Ver pessoas que esbravejam contra a corrupção em Brasília, mas na primeira oportunidade “molham” a mão do guarda ou furam a fila, sempre no intuito de se dar bem, já está cansando. Natural esse conflito entre o individual e o coletivo. Mas essa tendência ao primeiro ou ao segundo, de acordo com a conveniência, é hipocrisia pura. Justamente uma noção firme de ética é que traz equilíbrio a esse conflito.
Dessa filosofia do “eu primeiro” é que também surge a fúria corporativista.
Esse preâmbulo justifica o meu posicionamento quanto á polêmica Lei da Cidade Limpa que bate às portas de nossa Ribeirão Preto. O publicitário - não o cidadão - diria, numa simplificação, que quanto mais espaço para divulgação, melhor. Contestando assim a medida. E argumentos não faltam. Melhor porque estimula o mercado, a concorrência, a livre iniciativa. Melhor por informar ao público consumidor as opções e ofertas do mercado, abrindo o leque comercial, etc, etc.
Todo argumento é válido. O problema é que há uma extrapolação ao aspecto particular do mercado. E há mais que mercado (heresia!!!) no bom viver. Basta andar pela cidade, despido de trajes corporativistas, para perceber o quanto é preciso uma regulamentação. Desculpem o trocadilho, mas a poluição visual salta aos olhos. E os agride.
Por baixo de tantos painéis, há uma linda cidade, acredite. Por isso, sou a favor de qualquer regulamentação que melhore a qualidade de vida de todos os cidadãos e que os façam amar ainda mais sua cidade.
Em uma análise rápida, vejo como grande agente poluidor os painéis transversais às fachadas. São eles que, dispostos de forma ao segundo sair da sombra do primeiro e assim por diante, se constituem nos maiores responsáveis pelo bloqueio da visão do horizonte. Em minha opinião, essas peças são as primeiras a serem tratadas e regulamentadas, senão extintas.
Há quem leia essas linhas e deduza equivocadamente que esta posição é movida justamente pelo interesse comercial. Se ele defende a Cidade Limpa é porque a divulgação deve migrar para meios mais rentáveis para sua empresa, pensam. Garanto que não elaborei desse modo para tomar minha posição. Embora acredite que as coisas acabem se ajustando mesmo e que se uma via é fechada, outras tantas podem ser abertas, de forma sustentável. Mas esse é um pensamento genérico, não específico. Pode não se aplicar no caso e mesmo assim opto pelo coletivo, pela qualidade.
Há quem diga que na verdade sou ingênuo. Que a tal lei só existirá para que o governo controle esse aspecto das vias públicas e assim arrecade mais através do mobiliário urbano que será explorado com propaganda. Pode ser.
Mas uma coisa é certa: a liberdade tem limites, geralmente o do bom senso. Nesse caso e em nossa cidade, esse limite já foi ultrapassado e precisa ser estabelecido através da lei, já que o bom senso não bastou.
Só não pode ocorrer como na capital, onde, sob suposto patrocínio de um vereador, foi afixada uma grande faixa agradecendo ao prefeito por obras no seu curral eleitoral, já com a lei em vigor. O detalhe é que o tal vereador votou a favor da Lei Cidade Limpa. Vê como é difícil para certo tipo de pessoas separar o indivíduo do coletivo?
É isso aí. Infelizmente onde a ética – ou no caso da poluição visual, a estética - não se impõe, é a lei tem que prevalecer.
Esse preâmbulo justifica o meu posicionamento quanto á polêmica Lei da Cidade Limpa que bate às portas de nossa Ribeirão Preto. O publicitário - não o cidadão - diria, numa simplificação, que quanto mais espaço para divulgação, melhor. Contestando assim a medida. E argumentos não faltam. Melhor porque estimula o mercado, a concorrência, a livre iniciativa. Melhor por informar ao público consumidor as opções e ofertas do mercado, abrindo o leque comercial, etc, etc.
Todo argumento é válido. O problema é que há uma extrapolação ao aspecto particular do mercado. E há mais que mercado (heresia!!!) no bom viver. Basta andar pela cidade, despido de trajes corporativistas, para perceber o quanto é preciso uma regulamentação. Desculpem o trocadilho, mas a poluição visual salta aos olhos. E os agride.
Por baixo de tantos painéis, há uma linda cidade, acredite. Por isso, sou a favor de qualquer regulamentação que melhore a qualidade de vida de todos os cidadãos e que os façam amar ainda mais sua cidade.Em uma análise rápida, vejo como grande agente poluidor os painéis transversais às fachadas. São eles que, dispostos de forma ao segundo sair da sombra do primeiro e assim por diante, se constituem nos maiores responsáveis pelo bloqueio da visão do horizonte. Em minha opinião, essas peças são as primeiras a serem tratadas e regulamentadas, senão extintas.
Há quem leia essas linhas e deduza equivocadamente que esta posição é movida justamente pelo interesse comercial. Se ele defende a Cidade Limpa é porque a divulgação deve migrar para meios mais rentáveis para sua empresa, pensam. Garanto que não elaborei desse modo para tomar minha posição. Embora acredite que as coisas acabem se ajustando mesmo e que se uma via é fechada, outras tantas podem ser abertas, de forma sustentável. Mas esse é um pensamento genérico, não específico. Pode não se aplicar no caso e mesmo assim opto pelo coletivo, pela qualidade.
Há quem diga que na verdade sou ingênuo. Que a tal lei só existirá para que o governo controle esse aspecto das vias públicas e assim arrecade mais através do mobiliário urbano que será explorado com propaganda. Pode ser.
Mas uma coisa é certa: a liberdade tem limites, geralmente o do bom senso. Nesse caso e em nossa cidade, esse limite já foi ultrapassado e precisa ser estabelecido através da lei, já que o bom senso não bastou.
Só não pode ocorrer como na capital, onde, sob suposto patrocínio de um vereador, foi afixada uma grande faixa agradecendo ao prefeito por obras no seu curral eleitoral, já com a lei em vigor. O detalhe é que o tal vereador votou a favor da Lei Cidade Limpa. Vê como é difícil para certo tipo de pessoas separar o indivíduo do coletivo?
É isso aí. Infelizmente onde a ética – ou no caso da poluição visual, a estética - não se impõe, é a lei tem que prevalecer.
2 comentários:
Você fala isso porque sua empresa não é de comunicação visual. Imagine que reflexo essa lei terá sobre essas empresas.
Anônimo, me compadeço das empresas de comunicação visual que serão forçadas a se adaptar. Porém, foi a isso que me referi quando citei o corporativismo como entrave à evolução e à sustentabilidade. Não dá mesmo pra fazer o omelete sem quebrar os ovos.
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